"Amo a vida e espero que cumprida não seja breve, que intensamente seja sentida e leve, até que me leve."

quarta-feira

Olhei no espelho

Olhei no espelho e me vi com cara de cansaço.
Olhei cansado no espelho e me vi com cara de trabalho.
Olhei trabalho no espelho e me vi com cara de palhaço.
Olhei palhaço no espelho e me vi com cara de político.
Olhei político no espelho e me vi com cara mentira.
Olhei mentira no espelho e me vi com cara de honestidade.
Olhei honesto no espelho e me vi com cara de menino.
Olhei menino no espelho e me vi com cara de herói.
Olhei herói no espelho e me vi com cara de justiça.
Olhei justiça no espelho e me vi com cara de vingança.
Olhei vingança no espelho e me vi com cara de maldade.
Olhei maldade no espelho e me vi com cara de defesa.
Olhei defesa no espelho e me vi com cara de medo.
Olhei medo no espelho e me vi com cara de piedade.
Olhei piedoso no espelho e me vi com cara de empatia.
Olhei empático no espelho e me vi com cara de humano.
O ser humano nunca é, por todo o tempo, a mesma pessoa.
Fonte: http://bit.ly/sz0vdn


quinta-feira

De repente: melhor

Fonte: http://bit.ly/uhVNsG
Me sinto muito melhor agora.

E isso não tem nada a ver com a chuva forte que cai lá fora. Muito menos com a TV ligada para me servir de companhia. Tem a ver com como eu me vejo, com como eu vejo o resto do mundo, e com como eu me vejo vendo o resto do mundo.

Me vejo melhor.

E isso não tem a ver com a vitória do meu time ontem, muito menos com o meu medo de que ele perca a próxima partida. Demorei 23 anos e quase nove meses para descobrir esse botãozinho, mas não me culpo. Eu mesmo tenho autoridade suficiente para me desculpar. O painel de controle da vida é trilhões de vezes mais complicado do que o amontoado de teclas e alavancas da direção de um avião.

Foi algo parecido com ser um jogador de rugby, heterossexual, sofrer um AVC, e virar um cabeleireiro gay.
Mas a semelhança entre os casos é limitada à instantaneidade dos acontecimentos.
De repente tudo fez sentido e eu me arrependi de um bocado de atitudes.

Foi como um piscar de olhos, um estalar de dedos, um despertar do sono, um acordar do pesadelo.
Foi como um UFA bem grandão, como quebrar a grade da prisão.
Como a libertação dos escravos pela Princesa Isabel.
Como uma defesa de pênalti do goleiro Taffarel, na final da Copa de 94 contra a Itália.
Foi como alimentar uma família na Somália.

Vejo o mundo melhor. Me vejo melhor no mundo. Me vejo num mundo melhor.


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Um salve para a colega Amanda Garcia e seu tweet mágico: "Onde há luz, há sombra. Pra onde você quer olhar?"

sábado

Quando eu tiver um filho...

Quando eu tiver um filho tudo o que é meu será dele. Meu carro será dele, minha casa será dele, meus olhares serão dele, meu sorriso, meu carinho, meu coração, minha família, minha vida. Mas, mais que isso, a vida dele será dele.

Fonte: http://bit.ly/voo3QS
Quando eu tiver um filho vou ensiná-lo a jogar futebol sem medo de ralar os joelhos. Vou ensiná-lo a chutar com a perna esquerda – canhotos são mais habilidosos, pelo menos eu acho. Vou ensiná-lo a torcer fervorosamente pelo meu time, vou vesti-lo com o manto alvinegro, vou levá-lo ao estádio. Mesmo que com sete ou oito anos ele mude para o time rival, para o time da moda, ou para o time da mãe.

Bicicleta, vídeo-game, ‘piquesconde’, bolinhas de gude, futebol de botão... Vou ensinar tudo o que eu souber e o que eu não souber.

Vou ensiná-lo a ser rock’n’roll. Vai tocar guitarra, violão, bateria... E se, depois, ele preferir o bandolim e o pandeiro de couro, tenho certeza que fará a melhor combinação de sons harmônicos e melódicos de todo o mundo, ao menos para mim. Eu sambarei ao som do meu filho.

Quando eu tiver um filho vou ensiná-lo a andar, vou deixá-lo cair, e mostrar que nem sempre isso é ruim. “Há males que vêm para o bem”, diz o ditado. Vou ensiná-lo a se levantar, e se ele não conseguir, eu mesmo o levantarei, o carregarei, até onde minhas pernas e meus braços aguentarem.

Quando eu tiver um filho o darei tudo o que precisar... Quando ele precisar de um abraço, eu darei. E se ele precisar dos meus abraços, eu darei. Se ele precisar de braços eu darei os meus. Darei minhas pernas, minha cabeça, todos os meus órgãos. Hoje mesmo eu daria minha vida por ele.

Só não darei minhas tristezas. Não transferirei meus traumas, minhas deficiências. Não deixarei que ele veja minhas cicatrizes e não farei as mesmas marcas nele.

Eu o deixarei viver, sorrir, correr, pular, cantar e deixar o quarto ao seu próprio modo. Vou deixar que ele tenha as próprias escolhas.

Eu também o deixarei partir, se assim quiser. Mas nunca o direi para ir. Nunca o direi para ir. Nunca o direi para ir. Nunca o direi para ir. Nunca o direi para ir. Nunca o direi para ir. Nunca o direi para ir. Dói muito mais do que ralar os joelhos.

terça-feira

O Risos e Prantos voltou!

fonte: http://30.media.tumblr.com/tumblr_lhrew1myM41qg9760o1_500.jpg

O Risos e Prantos voltou.

Voltou porque não é possível viver sem sorrir e chorar.

Voltou porque desde o nascimento a lágrima está presente no choro da criança, e o sorriso na alegria da mãe. O choro na emoção da mãe, e o sorriso no orgulho do pai.

Voltou porque naquele primeiro dia de aula a mãe chora pelos instantes longe do filho, que sorri por chegar ao tão esperado início e chora ao ver que a mãe se foi, que sorri por ver que o filho está crescendo.

As lágrimas estão presentes na doença, na dor. Os risos na cura, na superação.

O choro está presente na despedida, o sorriso também: por perceber o quanto quem foi te fazia bem.

Em cada início, em cada fim, em cada momento, em cada tormento, em cada sentimento, cumprimento, casamento, ferimento, campeonato de futebol...

Lágrimas e sorrisos marcam as lembranças, repare bem! Conte quantas coisas sua memória guarda que não haja um dos dois... Zero ou nenhuma?

Risos e prantos não terminam. Nem que a vida chegue ao fim.

Risos e prantos se casaram, e no altar juraram: “Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, e nem a morte nos separa!”.