"Amo a vida e espero que cumprida não seja breve, que intensamente seja sentida e leve, até que me leve."

sexta-feira

Desabafo do dia das mães

Nasci em seu 17º outono. E em meu 17º era ela quem precisava dos meus cuidados. Precoce inversão de papeis. Trinta e quatro. Dependente de mim?

Não se tratava de dependência física, e sim psíquica, emocional. Minha presença, minhas palavras, minhas atitudes. O título de “o filho que eu mais amo”, a essas alturas, era uma cruz pesada demais.

Fui forte. Abandonei sonhos, desperdicei oportunidades, caminhei para trás. Mas aquela responsabilidade que eu não queria ter era minha obrigação. Fugir e até mesmo me matar eram ideias que circulavam em mim com certa frequência, mas por alguma razão eu estava ali. Seria insano abortar.

Abandonei minha guitarra e a livrei de duas tentativas de suicídio. Apertar sua garganta tal qual um enforcamento e forçar seu abdômen para que expelisse todos os comprimidos ingeridos não foi tarefa fácil, agi por instinto.

Também não foi fácil deixar todos os meus compromissos para ir todas as noites ao hospital. E não era nenhuma honra que ela aceitasse apenas a minha visita.

Às vezes sinto-me um tanto quanto egoísta, por entrar em um conflito interno sempre que abro mão de mim, por me desentender comigo quando deixo a minha vida de lado. Sacrifício.

Ainda guardo com carinho as cartas que me escreveu dizendo que sou sua "razão de viver".

Queria ter aproveitado melhor enquanto ela tinha plena saúde. Queria ter abraçado mais, e jogado menos vídeo-game. Queria ter beijado mais e ter ficado menos tempo na rua. Queria ter olhado mais aqueles olhos verdes como os meus, antes que os meus se acinzentassem de dor. Queria ter elogiado mais e talvez até estudado menos. Queria ter feito mais manha para receber mais carinho, e deveria ter mamado até os dez anos. Se eu tivesse passado menos tempo decorando os nomes dos craques de futebol poderia ter ajudado a preparar a macarronada aos domingos.

São detalhes que passam e não imaginamos o quanto fará falta. Mas não preciso me lamentar, minha mãe não morreu, ela apenas compreende o mundo de uma forma diferente.
No fundo, tenho muito orgulho de cuidar dela como uma filha.
Assim como ela, fui mãe aos dezessete anos. A vida quis.

Então FELIZ DIA DAS MÃES, para ela e para mim.





Um salve, mamães!

Bjos bjos
#tamojunto
@__felipemenezes

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