"Amo a vida e espero que cumprida não seja breve, que intensamente seja sentida e leve, até que me leve."

segunda-feira

Eu sou...


eu sou o pó que contaminou o poço
eu sou a cobra que envenenou o moço
eu sou a sobra do que é só osso
eu sou o resto do que é só um esboço

eu sou a canoa que virou no lago
o automóvel que despencou do penhasco
um trem desgovernado em São Paulo
um avião que virou estilhaço

eu sou a enchente que afligi o cidadão
sou a seca que ataca o sertão
na falta da luz, eu sou o apagão
sou as marcas do trabalho em suas mãos

sou uma lágrima ao fim da esperança
o suicida com a corda na garganta
o equilibrista que caiu da corda bamba
sou o fantasma que assusta a criança

a fumaça tóxica, a chuva ácida
a terra árida, a sua cólica...

o pó, a pedra, o mato
o fogo, a fumaça, o alcool...

o tropeço, a queda, a dor
a raiva, o ódio, o rancor...

...e se eu disser que é por AMOR?

quinta-feira

Ao menos...




Em meio a toda essa loucura típica do meu cotidiano atípico, vivo na extremidade dos sentimentos, onde o vento pode ser meu alento ou meu tormento, onde cada palavra inconscientemente falada pode ser um passo largo em direção ao abismo. Para finalmente, em queda livre, com um estrondoloroso grito expressar toda a dor percorrente em minhas veias. E não mais ficarão presos em minha garganta, por um estrangulamento suicida, os meus pensamentos, os meus desejos, os meus sonhos. Estes ecoarão eternamente, ao menos em minha memória.