"Amo a vida e espero que cumprida não seja breve, que intensamente seja sentida e leve, até que me leve."

quarta-feira

As flores não

Eu queria fazer tanto
Eu queria um canto só meu
Eu não queria fazer nada
Eu queria um tempo pra pensar quem sou eu

Eu queria uma descida pra me desgovernar
E sofrer as consequências do meu pacto com a ciência sem deus
E de toda a minha certeza, nada ficaria, nem meu corpo, nem meu choro, nem eu

As flores não mudarão de lugar
Nenhuma delas vai me acompanhar
Nenhuma delas é azul como o céu

As cores não mudarão de tom
Nenhuma delas explica o meu som
Nenhuma delas vai me acompanhar

Às vezes bem me lembro, sentado numa escada, sou eu
Num retrato do passado, num sorriso embriagado, morreu
A esperança, antes mesmo que tudo se vá
Provando que após o último suspiro ainda há tempo pra voltar
















Imagem: http://www.sxc.hu/photo/448387


terça-feira

A vingança nem sempre é má

Em meio a tantas pedras que rolam do ponto mais alto, senti enchendo a vingança em mim. Mas incomumente eu não despedaço. Enlaço, reforço, disfarço e sigo a caminhar. Estou mais forte. É sorte! Ou 'destino', pra quem quiser acreditar. Eu sei que o tempo passa e, enquanto o mundo gira, as verdades aparecem. E mesmo que alguns corações não reconheçam, é preciso entender as consequências. E eu, que quase sempre não volto atrás, torço, vibro, pulo e quero mais. Quero mais que quem me quis menos seja feliz sem se embriagar com o próprio veneno.

sexta-feira

Conselho rimado de Marte para Terra

Não tenho inveja da Terra, de maneira alguma. Apesar de ser mais bonita, mais quente, mais atraente, já não mais reina absoluta. Em alguns momentos se assemelha a uma prostituta: é usada, explorada, humilhada... E acaba sem ser paga. Nunca está sozinha, mas nunca recebe atenção. Então, qual seria a vantagem de ter companhia, e ainda fornecer água e comida? Seria a única ainda a viver em escravidão? Pois o que recebe em troca não é nada. Aliás, é sim, destruição.


quinta-feira

A idade dos mortos vivos


Acho gozado essa história de "parabéns fulano (morto), se estivesse vivo teria 50 anos"...

Se morreu, morreu. Não estaria vivo.


É engraçado, também, que tem um limite, né?! 


Aposto que em 12 de outubro não vai ter ninguém dizendo "parabéns D.Pedro! Se estivesse vivo teria 215 anos!".





Aí eu pergunto: Qual é a idade limite para poder dizer que um morto estaria vivo? Hein!?

segunda-feira

Tempo todo falho


Às vezes eu também julgo, e tiro conclusões precipitadas.
Às vezes eu também sou burro, principalmente quando me sinto ‘o esperto’.
Às vezes eu também acerto, mas isso é muito raro.
Nem sempre que eu caio, derrubo. Mas sempre que derrubo, caio.
Às vezes eu faço papel de otário. Às vezes papel de embrulho.
Às vezes pareço entulho. Às vezes, cenário.
Às vezes eu fujo da briga. Às vezes, encaro.
Às vezes é o tempo todo. O tempo todo sou falho.